Folia de Reis

A tradicional folia Manjedoura de Cordeiro TRADIÇÃO E FOLCLORE EM LOUVOR AO MENINO DEUS
O Natal é a data magna da cristandade, afinal, a pedra fundamental do Cristianismo surgiu a partir do nascimento do Menino Jesus, numa estrebaria, sem luxo ou conforto, na longínqua Belém, onde esse ser de luz recebeu, como primeiras testemunhas de sua chegada, três figuras míticas e místicas do livro santo: os Reis Magos.
As Folias de Reis reeditam, nos corações dos homens de fé e de boa vontade, a vinda do Menino Deus. Com originalidade peculiar, elas entram em cena para contar a passagem bíblica, por meio de cânticos, versos e, principalmente, devoção, realizando peregrinação pelas casas e varando a madrugada de 25 de dezembro.
As bandeiras abrem os caminhos com a humildade pregada por Cristo. Suas guardiãs são as pastorinhas, que, de branco, celebram a paz. Os trajes coloridos dos ritmistas e a batida cadenciada de tambores e caixas anunciam a chegada da boa nova, dos emissários da vida. Em frente ao presépio, os “mestres reizeiros” pedem licença e puxam as orações, entoando passagens das Sagradas Escrituras.

Zeca Diabo se apresenta ao lado de Martinho da Vila As Folias de Reis de Cordeiro sempre foram muito populares. Quem nunca ouviu falar em Juca e Nilo, de saudosa memória, que em vida se esmeraram para manter viva a chama desse folclore? Quem não conhece Aquiles, Lino, Devanir, Januário, Celino da Pena, João França e tantos outros que, de forma abnegada, lutam para nos proporcionar momentos especiais, capazes de unir cultura, alegria, folclore e religiosidade.

Máscaras, versos e misticismo
Apesar de representar o lado obscuro de uma Folia de Reis – por encarnar a figura de Herodes – o palhaço é cercado de popularidade e misticismo. Uma das lendas prevê que um palhaço precisa sair numa folia durante sete anos ininterruptos, sob a pena de sofrer punições ligadas à espiritualidade.
No contexto folclórico, ele é responsável pelas “brincadeiras”, que incluem a “chula” – uma espécie de dança diferente e ritmada – e os tão esperados versos, abordando desde histórias escritas por poetas populares, até improvisações.
Nesse quesito, Cordeiro pode se orgulhar de possuir dois dos maiores nomes do gênero: Chiquinho Feijó e Zeca Diabo, trovadores populares que fizeram e ainda fazem do município uma espécie de ícone regional, já que ambos se saíram vitoriosos nos mais diversos concursos Estado afora.
Amigo de todos, carismático e dedicado ao que fazia, Chiquinho Feijó – que infelizmente já nos deixou – foi um exemplo do que se pode chamar de poeta da literatura popular. Com versos de improviso, rimas maliciosas e histórias divertidas, ele conseguia encantar o público. Detalhe: Foi vereador e presidente da Câmara de Cordeiro.
Chiquinho Feijó quando atuava como vereador Zeca Diabo – que sempre manteve com Chiquinho uma rivalidade sadia, além da amizade – é um dos mais respeitados artistas do interior. Seu talento como repentista o levou a dividir o palco com Martinho da Vila. Desprovido de qualquer vaidade pessoal, ele tem um privilégio de poucos: a capacidade de versar por horas sem que tenha decorado um só livro, apenas lançando mão da improvisação.
Em tempo: as Folias de Reis têm seu ponto máximo de exaltação à fé no dia 6 de janeiro, dia de Santos Reis. A Associação de Folias de Reis de Cordeiro realiza, anualmente, no mês de janeiro, um encontro que reúne agremiações de todo o Estado do Rio de Janeiro e de outros estados.